Confiram agora a entrevista que dei AO VIVO para o Paulo Carvalho do programa Tintim por Tintim da JustTV. Clique para assistir: Entrevista Eliane Quintella
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Sonhar e acordar
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O que é o bem? E o que é o mal?
“Sobre o que menos se tem pensado até agora foi sobre o bem e o mal; sempre se considerou como uma coisa muito perigosa. A consciência, a boa opinião; o inferno, e ainda às vezes a própria polícia, não permitiam nem permitem imparcialidade; e é que, na presença da moral, como na presença de toda autoridade, não é lícito refletir, e ainda menos falar; ali é preciso obedecer!
Desde que o mundo é mundo, nenhuma autoridade permitiu tornar-se objeto de crítica; e chegar à crítica moral, ter por problemática a moral, como? Não foi sempre, não é ainda imoral? A moral, contudo, não dispõe de toda classe de meios de intimidação para manter à distância as investigações críticas e os instrumentos de tortura; sua certeza repousa mais numa espécie de sedução que só ela conhece: sabe “entusiasmar”. Às vezes, com um só olhar, consegue paralisar a vontade crítica, ou também atraí-la, captá-la, e há casos também em que sabe volvê-la contra si mesma; de maneira que, semelhante ao escorpião, enterra o aguilhão em seu próprio corpo. Pois há muito tempo a moral conhece toda classe de diabolismo na arte de convencer; hoje em dia não há orador que não se dirija a ela para pedir-lhe socorro”. Friedrich Nietzsche, Aurora – Reflexões sobre os preconceitos morais.
Que moral nós devemos seguir?
“Sempre compreendi que a moral tem por função tornar possível a vida comunitária. Todo rebanho é moral, todo rebanho precisa de uma moral. Mas aqui devemos examinar bem o que eu queria dizer, o que eu compreendia e que poucos compreenderam. Essas regras societárias são prescrições necessárias, de utilidade social, e trazem o cunho de sua época. Não são imutáveis nem eternas, nem sobrenaturais nem perfeitas, mas criadas pelos homens para regularem entre si as suas relações impostas pelos chefes aos subordinados, pelos dominadores aos dominados. Nem sempre há uma justificação para essa nova ordem, que se apresenta como uma “ordem moral”, um “imperativo moral”, emanada de um Deus que a justifica.
Essa moral heterônoma, imposta, escolhida pelos dominadores, imposta pelo passado e predominante no presente pela vontade dos que representam os interesses do passado, é odiosa para mim. Quis substituir o “tu deves” pelo “eu quero”. O homem não é homem enquanto não puder praticar este grande ato de liberdade, que o tornará senhor de si, quando respeitará a dignidade alheia por amor à sua própria dignidade, e assim o fará porque quer e não porque deve.
Aos que afirmam que o homem é incapaz de atingir esse reino de liberdade, replico-lhes que é a fraqueza que fala através de suas palavras.
Reconheço, e sempre disse que é preciso ser imensamente forte, ter mais força que um leão, para vencer a resistência da cadeia dos preconceitos e deixar-se guiar pela própria consciência e criar para si uma moral autônoma, uma moral de homem livre”. Friedrich Nietzsche, A Genealogia da Moral.
O que é realmente o livre-arbítrio? Todos possuem? Até que ponto nós não agimos na exata medida do que esperam de nós? Até que ponto não parecemos programados? Até que ponto não agimos mecanicamente? Até que ponto deixamos de pensar por nós mesmos? Até que ponto? Até onde você e eu existimos? Até que ponto existem por nós?
O que é Compaixão? Uma virtude? Ou algo doentio e perigoso?
“O indivíduo perde força ao compadecer-se. A perda de força que o padecimento mesmo já acarreta à vida é aumentada e multiplicada pelo compadecer. O próprio padecer torna-se contagioso através do compadecer; em determinadas circunstâncias pode-se atingir com ele uma perda geral de vida e energia vital, numa proporção absurda com o quantum da causa”. Friedrich Nietzsche, O Anticristo.